sexta-feira, fevereiro 17, 2012

 

SINAIS DOS TRANSITOS (ou como se prova que uma má mãe é melhor que mãe nenhuma)

O meu gato é doente mental. Comunicou-mo o veterinário com um olhar pesaroso e empático: "Acontece quando são retirados cedo demais das mães e são criados por humanos". Caramba! Até os bichos estragamos...

Salvei-o de morte certa, promovida por mão caridosa que o faria mergulhar num fundo balde de água. Durante um mês, acordei de 4 em 4 horas para lhe dar o biberão. Durante 2 meses não o larguei, sem me importar com o quanto pareceria excêntrico andar com uma casa de plástico colada a mim, fosse para onde fosse. Pedia nos restaurantes que aquecessem a água (mineral, claro) que juntava ao leite em pó especial (caríssimo...), para não falhar nenhuma mamada que aquela bola de pêlo sorvia, sôfrego. Sobrava espaço na minha mão, quando o envolvia e o encostava ao peito... Vai agora o ingrato sofrer do síndroma do-não-sei-quê... Por lhe ter faltado mãe!!!

Desde há alguns dias que encontro, todas as manhãs, caído no chão, um texto preso a um pequeno pedaço de serapilheira que me foi dado por uma cliente e que tenho pendurado num dos quinhentos balangandãs que espalho pela casa. Todas essas manhãs baixei-me, resmunguei com o gato e voltei a colocar o pedacinho áspero de tecido no lugar. Confesso que não me lembrava, de todo , o que lá estava escrito.

Hoje fiquei um tudo nada mais irritada quando, mais uma vez, encontrei o texto no chão, a interpor-se entre mim e o café que tomo ainda a dormir. Quase quase dei uma sapatada ao meu doente mental, farta das possessões de que é acometido noite adentro e que o levam a atirar-se contra as paredes, fazendo jus à loucura diagnosticada.

Talvez tenha sido a irritação mais acentuada ou a sensação desagradável de tremor interno com que acordei. O certo é que, no meio da obnubilação do sono, mesmo antes do café, achei que tinha de ler, afinal, o texto em que andava a tropeçar. E era isto:

Grey’s Anatomy
Episode 22
“Unaccompanied Minor”

Meredith:

There is a reason I said I’d be happy alone.
It wasn’t because I thought
I would be happy alone.
It was because I thought
If I loved someone
And then it fell apart, I might not make it.
It’s easier to be alone.
Because what if you learn that you need love?
And then you don’t have it.
What if you like it?
And lean on it?
What if you shape your life around it?
And then it falls apart?
Can you even survive that kind of pain?
Losing love is like organ damage.
It’s like dying.
The only difference is death ends.
This?
It could go on forever.

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